domingo, 8 de agosto de 2010

AS INSTITUIÇÕES SOCIAIS

“Desde que nascemos, começamos a aprender as regras e os procedimentos que devemos seguir na vida em sociedade. À medida que a criança cresce e passa a entender melhor o mundo em que vive, percebe que em todos os grupos de que participa existem certas regras importantes, certos padrões de comportamento que a sociedade considera fundamentais. Essas regras, instituídas pelos nossos antepassados, sofreram modificações ao longo do tempo. A sociedade exerce pressão sobre cada indivíduo para que todas elas sejam cumpridas”.

1- O que é INSTITUIÇÃO SOCIAL

 São todas aquelas estruturas sociais ou formas de organização estáveis como a Família, a Igreja, a Escola ou uma Empresa, que são baseadas em regras e procedimentos padronizados, socialmente reconhecidos, aceitos, sancionados e seguidos pela sociedade.

Em outras palavras, poderíamos dizer também que são os modos de pensar, de sentir e agir que a pessoa, ao nascer, já encontra estabelecidos e cuja mudança se faz muitas vezes com dificuldades. E mais, elas existem para satisfazer necessidades e servem como formas de controle social.


2- Grupo Social e Instituição Social

Não é difícil de entender, veja só:

 Os grupos sociais são reuniões de indivíduos com objetivos comuns, em processo de interação. Enquanto as instituições sociais se referem às regras e procedimentos que se aplicam a diversos grupos.

3- Interdependência entre as Instituições

Nenhuma instituição existe isolada das outras. Há sempre uma relação de interdependência, no sentido de que qualquer alteração em determinada instituição pode acarretar mudanças maiores ou menores nas outras. Ex: a libertação dos escravos, a mulher no trabalho fora de casa, a Internet, a questão salarial, etc.

4- Principais tipos de Instituição

Não descartando as demais, consideramos que as principais instituições sociais são: a Família, o Estado, as instituições Educacionais, e Igreja e as instituições Econômicas.

4.1 – A Família

É aquele tipo de agrupamento social cuja estrutura varia em alguns aspectos no tempo e no espaço. Essa variação pode se referir ao número e à forma de casamento, ao tipo de família e aos papéis familiares.

 
Números de casamentos
Neste caso, a família pode ser monogâmica ou poligâmica.
A família monogâmica é aquela em cada marido e cada mulher tem apenas um cônjuge.
A família poligâmica é aquela em que cada esposo pode ter dois ou mais cônjuges. Entre os esquimós e algumas tribos do Tibet ocorre a poliandria (casamento de uma mulher com dois ou mais homens). Já em certas tribos africanas, entre os mórmons e os muçulmanos, ocorre a poliginia (casamento de um homem com várias mulheres).

Formas de casamento
Temos a endogamia e a exogamia.
Endogamia quer dizer casamento permitido apenas dentro do mesmo grupo, da mesma tribo. Esta era uma forma muito comum entre os povos primitivos, e encontrada ainda hoje no sistema de castas da Índia e curiosamente em algumas famílias do Nordeste brasileiro.
Exogamia trata-se da união com alguém fora do grupo, entre pessoas de religião, raça ou classe social diferentes. É encontrado na maioria das sociedades modernas.

Tipos de famílias e suas funções
Entre várias possibilidades, vamos classificar a família em dois tipos básicos:
 Conjugal ou nuclear – é o grupo que reúne marido, mulher e filhos;
 Consangüínea ou extensa – além do casal e seus filhos, reúne outros parentes, como avós, netos, genros, noras, primos e sobrinhos.

Entre as principais funções da família podem ser destacadas:
 Sexual ou reprodutiva – satisfação dos impulsos sexuais dos cônjuges e a perpetuação da espécie humana;
 Econômica – assegurar os meios de subsistência e bem-estar de seus membros;

 Educacional – transmissão dos valores e padrões culturais da sociedade.

Papéis familiares

Nos últimos anos percebeu-se uma transformação profunda quanto aos papéis familiares. O pai já não é mais o “chefe da família” e nem a mãe a “rainha do lar”. Ou seja, os filhos são criados por pai e mãe que trocam constantemente de papéis entre si.

Da mesma forma, os índices de divórcio cresceram acentuadamente. Nos EUA, por exemplo, a proporção de divórcio em relação ao número de casados quadruplicou em apenas trinta anos.

Ao mesmo tempo, o número de filhos de mães solteiras subiu bastante também. Por outro lado a função nuclear reprodutiva está igualmente ameaçada: a fertilidade caiu tão drasticamente na Itália, Espanha e Alemanha que esses países estão em via de perder 30% da população em cada geração.

A nova família é também monoparental. Em muitos casos, os filhos moram só com o pai ou só com a mãe.

Uma curiosidade, no entanto. Apesar das transformações verificadas especialmente nos últimos trinta anos, o modelo de família nuclear parece continuar predominando.


A instituição familiar no Brasil

Em primeiro lugar devemos destacar que as mudanças ocorridas nos últimos anos estão relacionadas com o tipo de vida característico da sociedade industrial. Outro ponto a considerar, agora do ponto de vista legal, é a aprovação da Lei do Divórcio em 1977. Tanto é que o objetivo do casamento deixa de ser apenas a constituição de um lar, com muitos filhos, de preferência, e passa a ser o estabelecimento de uma comunhão de vida entre os cônjuges.

Outra inovação é o fato da responsabilidade da família passar a caber igualmente aos dois integrantes do casal, com os mesmos direitos, e não mais apenas ao pai como “chefe da família”. Bem como, em caso de separação, a guarda dos filhos não cabe mais exclusivamente à mãe, mas ao cônjuge que estiver em melhores condições.

Com toda justiça, cabe destacar que todas essas mudanças apenas dão cunho legal às transformações que estão ocorrendo na sociedade brasileira, na qual a mulher vem assumindo um papel destacado na estrutura familiar.


4.2 – A Igreja

Uma coisa é fato, todas as sociedades conheceram e conhecem alguma forma de religião. E enquanto a origem de todas as outras instituições pode ser encontrada nas necessidades físicas do homem, a religião não corresponde a nenhuma necessidade material específica. De certa forma, cada povo tem nas crenças religiosas um fator de estabilidade social e de obediência às normas sociais da sociedade. Por isso, dizemos que a religião sempre desempenhou uma função importante e indispensável.

Bom, geralmente, todas as religiões têm seu lugar de culto: igrejas, templos, mesquitas, sinagogas, etc. E assim como a família, a religião, ou as religiões também sofreram muitas mudanças.

As religiões ocidentais sofreram profundas mudanças com o desenvolvimento da economia industrial, sendo que o progresso da ciência e da arte deu ao homem uma nova visão de si mesmo e da vida em geral. De certa forma, a partir desta nova situação, as várias religiões no mundo têm procurado conciliar suas doutrinas com o conhecimento científico.

Outra tendência é dar mais ênfase aos valores sociais do que aos dogmas religiosos. Prova disso é o surgimento, na Igreja Católica, da doutrina da Teologia da Libertação.

Por outro lado, há também grupos conservadores que defendem o apego à tradição, como a TFP, algumas igrejas “renovadas” (Evangélicas), entre eles o movimento da Renovação Carismática (Igreja Católica) etc.

Percebe-se também um crescimento exagerado das mais diferentes seitas religiosas. Tal crescimento, possivelmente deve-se a fatores como: instabilidade social, dificuldades econômicas, crescimento demográfico, miséria e insegurança. Tais incertezas acentuam as crises existenciais dos seres humanos, que se voltam para a religião, na tentativa de encontrar uma saída para seu desamparo e sua angústia.

Devido a situação do mundo atual citada acima, percebe-se também diversas formas de renovação religiosa no cristianismo, no islamismo e no judaísmo nas últimas duas décadas.

Enfim, é inegável que a Religião continua sendo uma das principais instituições a influir no comportamento humano. Porém, ela não constitui condição imprescindível da ordem social.

Uma curiosidade: das grandes religiões, o islamismo é a que mais cresce no mundo.


4.3 – O Estado

Todos os recursos recolhidos pelo Estado, teoricamente deveriam ser investidos em investimentos de infra-estrutura e preste os serviços sociais básicos à população, além, claro, manter a máquina administrativa do Estado.

Para retirar estes recursos da população, o Estado se baseia numa qualidade que é a essência dele mesmo: seu poder de coerção. Esse poder autoriza o Estado e recorrer a várias formas de pressão para fazer valer seu direito de cobrar impostos.

Direito e poder do Estado

Em qualquer sociedade, apenas o Estado tem o direito de recorrer à coação para obrigar os indivíduos a cumprir suas leis.

É inegável que o Estado é o mais importante agente de controle social de uma sociedade. Ele exerce essas funções por meio de leis e, em última instância, pelo uso da força e da violência legítima, desde que baseado na lei.

Nas democracias representativas, como já sabemos, o poder do Estado se distribui pelos poderes Executivo (governo, administração pública, forças armadas), Legislativo (Congresso Nacional, Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores) e Judiciário (órgãos da Justiça).

Alguns componentes do Estado

O Estado é essencialmente um agente de controle social. Difere de outras instituições como a família e a Igreja, que também exercem controle, na medida em que tem poder para regular as relações entre todos os membros da sociedade.

Os três componentes mais importantes do Estado são:
 Território;
 População;
 Instituições políticas (principalmente os três poderes e os diversos órgãos administrativos que compõe o governo).

Estado, nação e governo

Veja: a NAÇÃO é um conjunto de pessoas ligadas entre si por vínculos permanentes de idioma, religião, tradições, costumes e valores; é anterior ao Estado, podendo até existir sem ele (Ex: Ciganos, Palestinos e os Judeus antes da criação do Estado de Israel). Já um ESTADO pode compreender várias nações, como é o caso do Reino Unido ou Grã-Bretanha, formada pela Escócia, Irlanda do Norte, País de Gales e Inglaterra. Logo o Estado é uma nação com um conjunto de instituições políticas, entre as quais um GOVERNO que é um componente transitório do Estado que é permanente.

Interessante lembrar que nas democracias, a base da organização do Estado é sua Constituição, que estabelece as normas referentes aos poderes públicos e afirma os direitos e deveres dos cidadãos.

Estado e formas de governo

O governo pode adotar as seguintes formas: monarquia ou república. Há, no entanto, variações nestas formas de governo. Em países da Europa (Grã-Bretanha, Espanha, Suécia e Noruega) existem as chamadas monarquias institucionais (que também podem ser parlamentaristas). E em outros países a república parlamentarista e ainda a presidencialista.


4.4 - Escola

Em um país onde o analfabetismo ainda assusta, o processo seletivo para a universidade é excludente, falar das instituições educacionais e da própria escola, é muito sério.

A Escola pode ser vista como um grupo social ou como instituição. Ou seja, por um lado ela é uma reunião de indivíduos com objetivos comuns e em contínua interação. Mas é também uma estrutura mais ou menos permanente que reúne normas e procedimentos padronizados, altamente valorizados pela sociedade, cujo objetivo principal é a socialização do indivíduo e a transmissão de determinados aspectos da cultura e do conhecimento.

Objetivos da Educação

É por meio da educação que os povos transmitem às gerações mais jovens sua herança cultural, seus conhecimentos, seu modo de vida e suas regras e valores. Ao passar por ela, os indivíduos adquirem as informações e condições necessárias para uma vida ativa (inclusive econômica) em sociedade e são preparados para conviver com os outros de acordo com as normas dos grupos sociais a que pertencem.

O processo educativo

Já vimos que a educação pode ser:

 Informal (assistemática ou difusa);
 Formal (sistemática)

A educação formal tem recebido uma atenção especial dos governos (ou deveria) pelo fato de não ser mais possível pessoas com pouca ou sem nenhuma instrução progredir profissionalmente. A educação (formal) passa a ser cada vez mais um instrumento vital para que o indivíduo possa enfrentar os desafios da sociedade contemporânea.



A Escola e as novas tecnologias

Um ponto que merece muita atenção e reflexão é o uso de novas tecnologias na educação. A Internet e os diversos meios de comunicação vieram para provocar mudanças na educação. Ao mesmo tempo em que traz inúmeras vantagens, e isto é indiscutível, traz o problema da socialização, da falta de contato físico e a pesquisa direto nas fontes. Ou seja, a educação não poderá em hipótese alguma se reduzir a estes novos equipamentos. É preciso reforçar a socialização dos alunos, procurando preservar as relações humanas e evitar o individualismo.


Para discutir:

Nosso modelo de educação, de escola, é democrático?

Somos críticos? Nos utilizamos da educação para sermos agentes sociais?
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(Síntese de Conteúdo baseada no Livro – Introdução à Sociologia - de Pérsio dos Santos de Oliveira)

CULTURA - Temas relacionados

Salve, galera!
O 2º ano noturno de 2010 está trabalhando cultura agora. Em postagens antigas (maio de 2009), vocês vão achar um material simples colhido da internet. Mas segue abaixo a relação de alguns temas relacionados para vocês escolherem para o trabalho de pesquisa e produção de texto. Alguns temas são sugestões do site da Abril, planos de aula:
  • INTERNET - Intimidade e privacidade
  • TRIBOS
  • Conceitos de "MASCULINIDADE"
  • Beleza e Sociedade de Consumo
  • Crenças de SORTE e AZAR (amuletos, simpatias, etc...)
  • Namoro ao longo do tempo ("Uma lição apaixonante")
  • Cultura do FUTEBOL e suas mazelas
  • Cultura SUPERIOR ou DIFERENTES?
  • Questões de gênero - ser "homem" e "mulher" ao longo do tempo
Estas são apenas algumas sugestões. Há uma infinidade de temas relacionados à Cultura, você pode sugerir também o seu. Conversaremos em sala de aula.

domingo, 30 de maio de 2010

ESCOLA E SOCIEDADE - 3º Ano NOTURNO

Salve, galera...
Estamos assistindo o documentário "PRO DIA NASCER FELIZ", segue abaixo dois links interessantes sobre o mesmo. Vale a pena conferir!
1- http://matheuspetrus.tumblr.com/post/234349693/pro-dia-nascer-feliz
2-http://locutorio.blog.com/2007/03/12/e-o-dia-nascera-feliz-um-dia/

terça-feira, 2 de março de 2010

O QUE É SOCIOLOGIA E SUA ORIGEM!

  • Salve, galera! Demorou, mais segue alguns textos interessantes para nosso começo de curso.
Curtam bastante... rsrsrsrsrs
PAZ E BEM!




O QUE É SOCIOLOGIA
CARLOS BENEDITO MARTINS


O surgimento da sociologia ocorre num contexto histórico específico, que coincide com os derradeiros momentos da desagregação da sociedade feudal e da consolidação da civilização capitalista, ela surge como resposta intelectual aos acontecimentos existentes na Europa do Séc. XIX; as transformações ocorridas na Europa da baixa idade média propiciaram mudanças que levaram ao surgimento da sociologia como disciplina e objeto de estudo de vários pesquisadores. Na alta idade média predominava a força da igreja católica que determinava o que era certo e errado, verdadeiro e falso, através do pensamento teológico; o mundo, as mudanças no comportamento humano e até mesmo modificações na natureza eram explicados com base na teologia e fé católicas – esse é o aspecto religioso por assim dizer. Com a reforma protestante, a igreja católica perdeu espaço para o protestantismo que enxergava o ser humano, como um ser caído, distante de Deus, sozinho no mundo – essa individualização é importante ser observada pois antes desse conceito os homens não existiam separados do seu grupo, da sua comunidade; outro aspecto importante é que a revolução industrial retirou das mãos dos artesãos e dos ourives as ferramentas e os meios de produção e os transformou em trabalhadores assalariados, neste período houve uma grande migração e os homens do campo tornaram-se homens das cidades.
É comum encontrarmos Saint-Simon(1760-1825) entre os primeiros pensadores socialistas, ele é saudado como um dos fundadores juntamente com Auguste Comte do positivismo; Durkheim costumava afirmar que o considerava o iniciador do positivismo e o verdadeiro pai da sociologia. Saint-Simon sofreu a influência de idéias iluministas e revolucionárias, mas também foi seduzido pelo pensamento conservador. Na visão dos positivistas a sociedade européia encontrava-se em um profundo estado de caos social; as idéias religiosas havia há muito perdido sua força na conduta dos homens e não seria a partir da religião a reorganização da sociedade, muito menos das idéias iluministas. A verdadeira filosofia no seu entender deveria proceder diante da realidade de forma “positiva”, a escolha dessa palavra tinha a intenção de diferenciar a filosofia criada por Comte da filosofia do séc. XVIII que era “negativa”, ou seja, contestava as instituições sociais que ameaçavam a liberdade dos homens. O positivismo procurou oferecer uma orientação geral para a formação da sociologia ao estabelecer que a sociologia deveria proceder em suas pesquisas com o mesmo estado de espírito que dirigia a astronomia e a física rumo as suas descobertas. Comte considerava como um dos pontos altos da sua sociologia a reconciliação entre a “ordem” e o “progresso”.


SOCIOLOGIA
Pérsio Santos de Oliveira

HISTÓRIA DAS CIÊNCIAS SOCIAIS

Durante milhares de anos os seres humanos vêm refletindo sobre os grupos e as sociedades em que vivem procurando compreendê-los.
MITOLOGIA: As primeiras tentativas de compreender o fenômeno das forças sociais baseavam-se na imaginação, na fantasia, na especulação. Recorria-se, por exemplo, a deuses e heróis para explicas certos fenômenos sociais.
Na mitologia grega, Zeus, protegia o casamento e era a divindade que tutelava a vida familiar.

RELIGIÃO E FILOSOFIA: Na Antiguidade e durante a Idade Média, até o início da Idade Moderna, as tentativas de explicar a sociedade foram bastante influenciadas pela filosofia e pela religião, que propunham normas para a sociedade, procurando melhora-la de acordo com seus princípios.
Essas primeiras tentativas de estudo sistemático sobre a sociedade humana começaram com os filósofos gregos Platão (427-347 a.). Cem seu livro A república, e Aristóteles (384-322 a.Ccom a obra Política). É de Aristóteles a afirmação de que “o homem nasce para viver em sociedade”.

Na Idade Média, como acontecia na Antiguidade, os filósofos continuaram a propor normas para que o ser humano vivesse numa sociedade ideal. Santo Agostinho, por exemplo, em sua obra A Cidade de Deus, afirmava que nas cidades reinava o pecado. Propunha normas para que não houvesse pecado. Obras como essas descreviam a sociedade humana de uma perspectiva religiosa muito acentuada.

REFLEXÃO MAIS REALISTA: Com o Renascimento, começaram a surgir pensadores que abordavam os fenômenos sociais de maneira mais realista. Escreveram sobre a sociedade de sua época: Maquiavel, em O Príncipe; Tomás Morus, em Utopia; Tomaso Campanella, em Cidade do Sol; Francis Bacon, em Nova Atlântida.
Mais tarde, outras obras importantes, frutos da reflexão sobre a sociedade, deram grande contribuição ao desenvolvimento das Ciências Sociais. Entre elas, destacam-se O Elogio da Loucura, de Erasmo de Roterdã, e O Leviatã, de Thomas Hobbes.

A NOVA CIÊNCIA: No século XVIII, um avanço importante para a análise mais realista da sociedade foi à contribuição de Giambattista Vico, com sua obra A Nova Ciência. Nela, Vico afirma que a sociedade se subordina a leis definidas, que podem ser descobertas pelo estudo e pela observação objetiva. Sua formulação “O mundo social é, com toda certeza, obra do homem” foi um conceito totalmente revolucionário para a época.
Alguns anos depois, Jean-Jacques Rousseau reconheceu a influencia decisiva da sociedade sobre o indivíduo. Em seu livro O Contrato Social, Rousseau afirma que “O homem nasce puro, a sociedade é que o corrompe”. Hoje sabe-se que o indivíduo também influencia o meio e que não nascemos tão puros assim,considerando-se a teoria dos instintos, de Sigmund Freud.
Foi no século XIX-com Augusto Comte, Herbert Spencer, Gabriel Tarde e, principalmente, Émile Durkeim, Max Weber e Karl Marx- que a investigação dos fenômenos sociais ganhou um caráter verdadeiramente científico.


O SURGIMENTO DA SOCIOLOGIA

Augusto Comte (1798-1857) é tradicionalmente considerado o pai da Sociologia. Foi ele quem pela primeira vez usou essa palavra, em 1839, no seu Curso de Filosofia Positiva. Mas foi com Émile Durkheim (1858-1917) que a Sociologia passou a ser considerada uma ciência e como tal se desenvolveu.
Durkheim formulou as primeiras orientações para a Sociologia e demonstrou que os fatos sociais têm características próprias, que os distinguem dos que são estudados pelas outras ciências. Para ele, a Sociologia é o estudo dos fatos sociais.
FATOS SOCIAS: U m exemplo simples nos ajuda a entender o conceito de fato social, segundo Durkheim. Se um aluno chegasse á escola vestido com roupa de praia, certamente ficaria numa situação muito desconfortável: os colegas ririam dele, o professor lhe daria enorme bronca e provavelmente o diretor o mandaria de volta para pôr uma roupa adequada.
Existe um modo de vestir que é comum, que todos seguem. Isso não é estabelecido pelo indivíduo. Quando ele entrou no grupo, já existia tal norma, e, quando ele sair, a norma provavelmente permanecerá. Quer a pessoa goste, quer não, vê-se obrigada a seguir o costume geral. Se não o seguir, sofrerá uma punição. O modo de vestir é um fato social. São fatos sociais também a língua, o sistema monetário, a religião, as leis e uma infinidade de outros fenômenos do mesmo tipo.
Para Durkheim, os fatos sociais são os modos de pensar, sentir e agir de um grupo social. Embora os fatos sociais sejam exteriores, eles são introjetados pelo indivíduo e exercem sobre ele um poder coercitivo. Resumindo, podemos dizer que os fatos sociais têm as seguintes características:
-generalidade - o fato social é comum aos membros de um grupo;
-exterioridade - o fato social é extremo ao indivíduo, existe independentemente de sua vontade;
-coercitividade - os indivíduos se sentem obrigados a seguir o comportamento estabelecido.
Em virtude dessas características, para Durkheim os fatos sociais podem ser estudados objetivamente, como “coisas”. Da mesma maneira que a Biologia e a Física estudam os fatos da natureza, a Sociologia pode fazer o mesmo com os fatos sociais.

OS NOVOS DESAFIOS PARA A SOCIOLOGIA: As obras de Durkheim foram importantíssimas para definir os métodos de trabalho dos sociólogos e estabelecer os principais conceitos da nova ciência. Entre essas obras, destacamos A divisão do trabalho social, As regras do método sociológico e O suicídio.
A partir da segunda metade do século XX, com o fortalecimento do capitalismo, que se tornou também mais complexo, a Sociologia ganha nova importância, deparando-se com questões com que até então não havia se preocupado.
Estudo de questões como ruptura de normas sócias, desagregação familiar, cidadania, maiorias, violência, crimes levaram a Sociologia a procurar respostas para os novos desafios, que exigem uma análise científica de todos os aspectos da vida em sociedade, para entender o presente e projetar o futuro.
A Sociologia moderna coube debruçar-se sobre todos os agentes sociais que provocam profundas modificações na sociedade. Assim foi consolidando o seu papel, á medida que definiu sua forma de pesquisa, análise e interpretação dos fenômenos sociais. O sociólogo, por sua, não pode perder de vista a noção de relatividade dos fenômenos sociais e as diversas formas como esses fenômenos se apresentam no mundo de hoje. Como exemplo de relatividade de fenômeno social, temos o desemprego, que pode ocorrer em determinados países e em outros não, pois depende muito do desempenho da economia da cada pais e das regras que norteiam cada política social.

domingo, 15 de novembro de 2009

Arquivos - ESTRATIFICAÇÃO E MOBILIDADE SOCIAL

Olá! Além do texto e dos vídeos já postados aqui sobre o assunto, segue também o endereço para download de mais 2 arquivos, um em texto e outro em apresentação de slide.

- http://www.4shared.com/file/152850765/1b2de38f/Estratificao_Social.html

- http://www.4shared.com/file/152850631/60f5b9e4/Estratificao_Social_-_RESUMO.html

Mais um...

Para pensar...

Salve, galera!
Quem sabe esse vídeo dá uma luz para o trabalho de vocês!