No texto, o sociólogo Karl Mannhein analisa o fenômeno do isolamento social e os seus tipos.
Nascido em Budapeste, na Hungria, o sociólogo Karl Mannheim (1893-1947) viveu em um dos períodos mais conturbados da História, tendo dedicado boa parte de sua vida à elaboração da Sociologia do Conhecimento. No texto a seguir, ele analisa o fenômeno do isolamento social.
O isolamento é uma situação marginal na vida social. É uma situação que carece de contatos sociais. As formas mais simples de isolamento são criadas por barreiras naturais como as montanhas, os mares interiores, os oceanos ou os desertos. Tanto grupos como indivíduos podem ser isolados e, em ambos os casos, as consequências principais do isolamento são a individualização e o retardamento.
Tanto os indivíduos quanto os grupos, quando excluídos do contato com outros indivíduos ou grupos, tendem a tornar-se indivíduos ou comunidades que se desviam das outras. Isso significa que percorrem seu próprio caminho; ajustam-se somente às suas condições particulares, sem trocar influências e impressões com outros indivíduos ou grupos.
Como consequência da falta de contato com outros, o indivíduo ou grupo desconhece a evolução das outras pessoas ou unidades sociais. Dessa maneira, emerge um fenômeno a que chamamos evolução desproporcional. O isolamento e a distância aumentam as diferenças originais e as individualizam. Pode-se observar como isso acontece em comunidades rurais que são isoladas por montanhas ou pântanos, como também em indivíduos que se afastam dos outros e se excluem. Tanto as primeiras como os últimos se tornam “peculiares”.
Tipos de isolamento social
Distinguimos dois tipos principais de isolamento: isolamento espacial (de ordem social) e isolamento orgânico (de ordem individual).
O isolamento espacial pode ser externo, isto é, uma privação forçada de contatos, como acontece quando alguém é expulso da sua comunidade ou encarcerado.
O comportamento anti-social e algumas vezes o desejo de vingança são uma consequência mental típica do confinamento solitário, que é uma forma extrema de exclusão forçada. No início do século XIX, muitas pessoas bem-intencionadas, influenciadas por concepções morais e religiosas tradicionais, acreditavam que o isolamento e a solidão fortaleceriam o caráter dos fiéis e facilitariam sua conversão.
Entretanto, as consequências, na maioria dos casos, eram estados mentais de melancolia, anormalidades sexuais, alucinações, e frequentemente, comportamento anti-social. A explicação para esse fato é simples: ajustamento às condições de prisioneiro, para a maioria dos indivíduos, implica torná-los desabituados à sociedade e à vida social, e é justamente isso que causa as atitudes anti-sociais.
Por isolamento orgânico, entendemos o isolamento que não é provocado por uma imposição externa, mas por certos defeitos orgânicos do indivíduo, tais como a cegueira ou a surdez. A consequência essencial de tais defeitos é a falta de certas experiências comuns ao indivíduo sadio. O compositor alemão Ludwing van Beethoven (1770-1827) exprimiu isso muito bem quando afirmou: “Minha surdez origa-me ao exílio”.
As consequências dos defeitos orgânicos são muito semelhantes às de certos defeitos sociais, como a timidez, a desconfiança, os sentimentos de inferioridade ou superioridade e o pedantismo. Essas distorções sociais, quando não são a consequência de um isolamento anterior, acabarão por criar um isolamento parcial.
As consequências de tal falta de experiência farão com que o surdo, o cego e o tímido raramente sejam plenamente correspondido por pessoas normais. Farão com que eles estejam em posição de inferioridade em toda espécie de comunicação pública, com que se tornem céticos, desconfiados e irritadiços e, portanto, que tenham menos possibilidade de escolher amigos e companheiros entre as pessoas que lhe estão próximas.
Pode-se falar em “falta de associação por escolha”, e o resultado posterior disso é um número limitado de pessoas com as quais podem desenvolver potencialidades intelectuais. Tudo isso pode levar à resignação: o indivíduo pode perder a esperança de obter uma posição normal e um lugar na vida, ou tornar-se uma personalidade que aceita o seu papel de inferioridade imaginária.
A timidez, em termos psicológicos, é uma espécie de isolamento parcial que decorre da incapacidade de reagir de forma adequada a certas esferas da vida. É geralmente consequência de um choque físico na infância. Na maioria das vezes, esse choque ocorre no momento exato em que a criança deixa a esfera das relações da família e da vizinhança para penetrar no universo dos contatos secundários. Uma espécie de trauma, uma lesão física, decorre desse passo, podendo resultar num desequilíbrio crônico de personalidade (…)
CONCEITOS BÁSICOS PARA A COMPREENSÃO DA VIDA SOCIAL
Pérsio Santos de Oliveira
SOCIABILIDADE E SOCIALIZAÇÃO: reflita sobre este pensamento de Aristóteles (384-322 a.C): “O homem é por natureza um animal social”. O que isso quer dizer? A vida em grupo é uma exigência da natureza humana. O homem necessita de seus semelhantes para sobreviver, perpetuar a espécie e também para se realizar plenamente como pessoa.
A sociabilidade – capacidade natural da espécie humana para viver em sociedade – desenvolve-se pelo processo de socialização. Pela socialização o individuo se integra ao grupo em que nasceu, assimilando o conjunto de hábitos e costumes característicos daquele grupo.
Participando da vida em sociedade, aprendendo suas normas, seus valores e costumes, o indivíduo está se socializando. Quanto mais adequada a socialização do indivíduo, mais sociável ele poderá se tornar.
CONTATOS SOCIAIS: ao dar uma aula, o professor entra em contato com seus alunos. O cliente e o vendedor de uma loja estabelecem contato na hora da venda de uma mercadoria. Duas pessoas conversando também estabelecem um contato social. A convivência humana pressupõe uma verdadeira de formas de contatos sociais. Você mesmo pode relacionar diversas formas, a começar pela maneira como adquiriu este livro ou pelas relações ou contatos sociais que manteve para chegar até esta etapa de sua educação formal.
O contato social é à base da vida social. É o primeiro passo para que ocorra qualquer associação humana.
-TIPOS DE CONTATOS SOCIAIS: podemos considerar que existem dois tipos de contatos sociais: primários e secundários.
Contatos Sociais Primários. São os contatos pessoais, diretos e que têm uma forte base emocional, pois as pessoas envolvidas compartilham suas experiências individuais. São exemplos característicos de contatos sociais primários: os familiares( que ocorrem entre pais e filhos, entre irmãos, entre marido e mulher); os de vizinhança ( entre amigos, grupos de brincadeira e lazer); as relações sociais na escola, no clube, etc. Assim, as primeiras experiências do indivíduo se fazem com base em contatos sociais primários.
Contatos sociais secundários. São os contatos impessoais, calculados, formais. Trata-se mais de um meio para atingir determinado fim. Dois exemplos: o contato do passageiro com o cobrador do ônibus, apenas para pagar a passagem; o contato do cliente com o caixa do banco, para descontar um cheque. São também considerados contatos secundários os contatos mantidos através de carta, telefone, telegrama, e-mail,etc.
PRIMÁRIOS E SECUNDÁRIOS: é importante destacar que as pessoas que têm uma vida baseada mais em contatos primários desenvolvem uma personalidade diferente daquelas que têm uma vida com predominância de contatos secundários. Um lavrador, por exemplo, apresenta uma personalidade bastante diversa da de um executivo.
Com a industrialização e a conseqüente urbanização diminuíram os grupos de contatos primários, pois a cidade é a área em que há mais grupos nos quais predominam os contatos secundários.
As relações humanas nas grandes cidades podem ser mais fragmentadas e impessoais, caracterizando uma tendência aos contatos sociais secundários e ao individualismo, pois aproximadamente física não significa necessariamente proximidade afetiva. A vida nas metrópoles, por exemplo, facilita os conflitos. Um exemplo de individualismo cultivado nas grandes cidades são as brigas no transito, cada vez mais freqüentes, muitas com desfecho violento.
Convívio social, isolamento e atitudes: a História demonstra que o convívio social foi e continua a ser decisivo para o desenvolvimento da humanidade. As descobertas feitas por um grupo, quando comunicadas ás outras pessoas, tornam-se estimulo e ponto de partida para aperfeiçoamentos e novas descobertas. Transmitidas de geração a geração, esses conhecimentos compartilhados não perdem com a morte de seus descobridores. No convívio social, o compartilhamento entre indivíduos se dá pelos contatos sociais.
A ausência de contatos sociais caracteriza o isolamento social. Existem mecanismos que reforçam o isolamento social. Entre eles estão as atitudes de ordem social e as atitudes de ordem individual.
As atitudes de ordem social envolvem os vários tipos de preconceitos (de cor, de religião, de sexo, etc.). Um exemplo histórico de preconceito é o anti-semitismo, voltado contra os judeus. Tal atitude foi especialmente violenta durante a Idade Média e também entre os anos de 1933 e 1945, nos países dominados pela ideologia nazista. A África do Sul é outro exemplo de país onde por várias décadas imperou uma legislação que afastava do convívio social com os brancos a maior parte da população: era o apartheid, que minoria branca impunha á maioria negra, relegando seus membros á condição de cidadãos inferiores.
Uma atitude de ordem individual que reforça o isolamento social é a timidez. O sociólogo Karl Mannheim considera que a timidez, o preconceito e a desconfiança podem levar o indivíduo a um isolamento parcial semelhante ao ocasionado de modo geral pelas deficiências físicas, quando os portadores são segregados dentro de seu próprio grupo primário.
Quebrando as regras: O ser humano se guia pela inteligência. Sobre a necessidade de vida gregária (em grupo), edificamos o convívio social.
As formas de convívio social são diversificadas, pois cada cultura, cada povo, tem suas regras particulares de convivência humana.
As condições de convivência podem se modificar de acordo com certas transformações que ocorrem nas sociedades. Por exemplo, a situação da mulher de maneira geral foi se modificando rapidamente ao longo das últimas décadas do século XX. Quem imaginaria, nos anos de 1920, a mulher brasileira votando. Pois as brasileiras obtiveram direito de voto apenas em 1933. Difícil também imaginar, há cinqüenta anos, mulheres ocupando cargos executivos em grandes empresas ou trabalhando em fábricas de montagem lado a lado com os homens, ou dirigindo a economia e a política de uma grande nação, como foi o caso de Margareth Thatcher, na Inglaterra, nos anos de 1979 a 1990. No Brasil, temos inúmeros exemplos de destaques femininos, tanto na política como em outras diversas atividades sociais. É cada vez mais comum mulheres ocupando cargos executivos ou dirigindo a economia e a política.
Salve galera do 2oANO. Segue abaixo alguns links interessantes para o trabalho/pesquisa que estamos desenvolvendo em sala de aula, em breve posto mais alguns se precisar:
Segue abaixo as questões a serem respondidas e entregues conforme combinado em cada turma.
1- DESENVOLVIMENTO E PROGRESSO. Os dois termos significam sociologicamente a mesma coisa ou há diferenças entre eles? (Veja o link abaixo)
2- Faça um apanhado (síntese) dos seguintes termos, presentes no capítulo 21 de nosso livro (p. 294 ss). (Postei o texto do livro aqui também)
MODERNIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO
SUBDESENVOLVIMENTO E DEPENDÊNCIA
3- Que análise pode ser feita sobre as mudanças no últimos anos no Brasil, segundo o autor do nosso livro Nelson Tomazi? (Cap. 23 - em especial p. 323)
VÍDEO - Cada EQUIPE deverá produzir um material (em vídeo) elencando algumas mudanças sociais significativas em nossa sociedade, como um "TOP 10". Alguns itens podem ser considerados: como era a vida de nossos pais/tios/avós quando eram crianças ou jovens, diferenças e semelhanças no cuidado com as crianças, na escola, na alimentação, transporte, na diversão ou brincadeiras, no vestuário, namoro, profissões mais comuns, política (partidos e outras formas), questões históricas relevantes, entre outros.
Progresso
e desenvolvimento talvez sejam as palavras que melhor expressam, em nosso
cotidiano, uma possível mudança social. Já vimos como pensavam os autores
clássicos sobre este tema. Vamos examinar a seguir como a questão foi colocada
a partir de meados do século XX.
Características e diferenças das sociedades
Tradicional
Moderna
Particularismo
Universalismo
Orientação para a
atribuição
Orientação para a
realização
Difusão funcional
Especificidade
funcional
Pouca motivação para
o desempenho
Muita motivação para
o desempenho
Nenhuma abertura à
experiência
Grande abertura à
experiência
Hierarquia
profissional
Especialização
profissional
Pouca imaginação
criadora
Muita imaginação
criadora
Pequena mobilidade
social
Grande mobilidade
social
Resistência às
mudanças
Abertura às mudanças
Após
a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) passou-se a perceber que as desigualdades
entre as sociedades do mundo eram gritantes, e algumas grandes vertentes
teóricas se propuseram analisar esse fenômeno, isto é, tentaram explicar por
que algumas sociedades eram desenvolvidas e outras, subdesenvolvidas. É sobre
essas teorias que vamos refletir um pouco.
Teorias
da modernização. A visão
evolucionista da história ganhou novo alento com as teorias da modernização, de
acordo com as quais as mudanças movem as sociedades de um estágio inicial
(tradicional) para um estágio superior (moderno), numa escala de
aperfeiçoamento contínuo.
As
teorias da modernização utilizam os padrões de análise de Émile Durkheim e de
Max Weber, mas com nova roupagem. De acordo com essas teorias, as sociedades
são tradicionais ou modernas conforme as características que adotam. Como
desenvolveram determinadas atitudes e comportamentos e não outros, são
responsáveis pela própria situação. Para se transformar, passando do estágio
atual para o superior, uma sociedade tradicional precisa deixar suas
características para incorporar as modernas.
Essas
teorias tomam como padrões de sociedades modernas as norte-americanas - do
Canadá e dos Estados Unidos - e as européias ocidentais - principalmente a da
França, a da Inglaterra e a da Alemanha. De acordo com tais teorias, as
sociedades tradicionais (atrasadas e subdesenvolvidas) devem seguir o exemplo e
os mesmos passos históricos das sociedades modernas (industrializadas e
desenvolvidas).
Vários
sociólogos dos Estados Unidos, como Talcott Parsons, David McClelland c Daniel
Lerner, e também o argentino Gino Germani, entre outros, utilizaram esquemas
muito parecidos para caracterizar cada tipo de sociedade.
A
mudança social ocorreria quando os indivíduos e os grupos – isto é, as
sociedades – deixassem as características tradicionais e passassem a
internalizar as modernas. Assim, desde' que os valores tradicionais fossem
superados, ocorreria a evolução social modernizante. De acordo com as críticas
mais gerais, essas teorias são etnocêntricas, pois a maioria das nações do
mundo não seguiu as mesmas trajetórias históricas que as sociedades ocidentais.
Ademais, tais teorias definem a trajetória de todas as sociedades como se fosse
linear, ou seja, presumem que as sociedades modernas de hoje foram um dia
tradicionais e se modernizaram porque mudaram sua mentalidade e sua maneira de
ver o mundo. A ênfase é posta na cultura e na visão de mundo das pessoas e dos
grupos sociais, os quais, para mudar, precisariam seguir a mesma trajetória que
as atuais sociedades modernas. Além dessas críticas, outras estão contidas nas
teorias que vamos analisar em seguida.
Teorias do subdesenvolvimento e da
dependência
Após
fazer uma análise crítica das teorias da modernização, vários autores, na
década de 1960, procuraram explicar a questão da diferença entre os países por
um outro ângulo, focalizando a história diferencial de cada sociedade e as
relações econômicas e políticas entre os países. A pergunta que se fazia era a
mesma proposta pelas teorias anteriores: por que os países da América Latina
eram subdesenvolvidos e os da Europa e os Estados Unidos eram desenvolvidos? As
respostas, porém, mudaram.
Esses
autores partiram de uma visão que foi desenvolvida pela Comissão Econômica para
a América Latina (Cepal), da Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com
os estudos da Cepa!, do ponto de vista econômico, nas relações entre países
desenvolvidos e subdesenvolvidos havia uma troca desigual e uma deterioração
dos termos de intercâmbio. Historicamente, isso se explicava por uma divisão
internacional do trabalho, em que cabia aos países periféricos (dominados)
vender aos países centrais (dominantes) produtos primários (agrícolas,
basicamente) e matérias-primas (sobretudo minérios) e comprar produtos
industrializados. Ao longo dos anos, foi necessário que os países periféricos
vendessem mais matérias-primas e agrícolas para pagar a mesma quantidade de
produtos industrializados, ou seja, trabalhavam mais e vendiam mais para
receber o mesmo e assim enriquecer aqueles que já eram ricos.
Os
países centrais e os periféricos tinham um passado diferente. Os países
europeus foram as metrópoles no período colonial, ao passo que os da América
Latina foram as colônias e, depois da independência, passaram a ser dominados
economicamente pela Europa e pelos Estados Unidos. Isso prejudicou a emergência
de forças livres para o desenvolvimento autônomo dos países periféricos.
Andrew
Gunder Frank, sociólogo alemão, afirmava que na América Latina havia apenas o
desenvolvimento do subdesenvolvimento, pois os países centrais, além de
explorar economicamente os periféricos, dominavam-nos politicamente, impedindo
qualquer possibilidade de desenvolvimento autônomo. E essa relação desde o
período colonial explicava por que alguns tinham se desenvolvido e outros não.
Um
segundo grupo de sociólogos, do qual participaram o brasileiro Fernando
Henrique Cardoso e o chileno Enzo Falletto, propôs uma explicação um pouco mais
detalhada dessa relação. De acordo com sua análise, após a primeira fase de
exploração, que durou até o fim da Segunda Guerra Mundial, iniciou-se um novo
movimento que aprofundou a dependência dos países da América Latina. Esta
continuou produzindo os mesmos bens primários para exportação, mas a partir da
década de 1960 houve uma mudança, principalmente no Brasil, na Argentina, no
Chile e no México: a internacionalização da produção industrial dos países
periféricos. Como isso ocorreu?
A
industrialização dependente configurou-se mediante a aliança entre os
empresários estrangeiros e nacionais e o Estado nacional. Os produtos
industriais que antes vinham dos países desenvolvidos começaram a ser
fabricados nos países subdesenvolvidos, porque era mais barato. Além disso, com
a produção local, evitava-se o gasto com o transporte. Mas o fundamental era
que as matérias-primas estavam próximas, a força de trabalho era mais barata e
o Estado dava incentivos fiscais (deixava de cobrar impostos) e construía toda
a infra-estrutura necessária para que essas indústrias se instalassem e
funcionassem. Em alguns países onde havia essas condições, as grandes
indústrias estrangeiras se instalaram e geraram um processo de
industrialização dependente, principalmente, da tecnologia que traziam. Com
isso, além de manter a exploração anterior, os países centrais exploravam
diretamente a força de trabalho das nações subdesenvolvidas.
Essas
teorias procuravam explicar a existência das diferenças entre os países, as
possibilidades de mudança de uma situação a outra e as condições possíveis para
que isso acontecesse no sistema capitalista, sem necessariamente questioná-lo.
BRASIL - Mudanças nos últimos anos
Como
vimos até aqui, muitas coisas mudaram no Brasil e muitas outras foram
conservadas ou não mudaram de modo significativo. Podemos observar que em
alguns lugares o modo de vida assemelha-se ao das sociedades industrializadas
de qualquer parte do mundo. Em outros lugares, principalmente nas áreas rurais,
vive-se uma realidade de extrema pobreza. Nas grandes cidades as duas situações
convivem. Há no mesmo lugar extrema riqueza e extrema pobreza: gente que mora
em condomínios fechados luxuosos e gente que vive embaixo de viadutos.
Politicamente,
pode-se dizer que as regras do jogo democrático estão consolidadas, isto é, as
eleições são realizadas regularmente e os eleitos são empossados e terminam os
mandatos (desde que não sejam julgados e tenham os mandatos extintos, como
ocorreu com o ex-presidente Fernando Collor e vários parlamentares). No
entanto, persistem ainda velhas práticas, como o clientelismo, o
"favor", as decisões judiciais parciais e os conchavos políticos, o
que demonstra que o país não mudou tanto.
Economicamente,
nos últimos 20 anos, houve uma alteração substancial por causa da ampliação da
inserção do Brasil no mundo. Foram necessárias mudanças internas para que o
país pudesse se adequar ao novo padrão internacional de relações políticas e
econômicas. O processo produtivo industrial foi modificado com a entrada de
novas indústrias e a modernização tecnológica, principalmente via automação.
Criou-se uma nova maneira de produzir muito com menos trabalhadores. Isso conduziu
a uma situação estranha, pois o desenvolvimento não implica aumento de vagas de
trabalho.
Houve
também uma mudança no consumo e nas relações entre os indivíduos. Para
indicarmos apenas uma situação, a utilização dos telefones celulares ocasionou
mudanças comportamentais que impressionam - por exemplo, na relação entre os
trabalhadores autônomos e seus clientes; nas relações sentimentais, que incluem
constantes conversas, mas também vigilância; nas relações trabalhistas, pois o
empregado pode ser alcançado em qualquer lugar e hora; na própria
sociabilidade, pois as pessoas não conseguem mais viver sem estar conectadas;
nas formas de consumo, dada a rápida obsolescência dos aparelhos.
Isso
significa que a chamada globalização nos atingiu em cheio. E, como diz
Francisco de Oliveira, sociólogo brasileiro, os meninos nas ruas vendendo
balas, doces e quinquilharias não são o exemplo do atraso do país, mas a forma
terrível como a modernização aqui se implantou.
Salve, galera! Havia prometido alguma coisa a respeito dos termos DESENVOLVIMENTO e PROGRESSO. Segue abaixo alguns links interessantes que podem ajudar a responder a questão passada em sala de aula: