segunda-feira, 11 de abril de 2016

1º ANO - CONCEITOS BÁSICOS (PARTE II)


O isolamento social e seus tipos 

(FONTE: http://www.buscaescolar.com/sociologia/o-isolamento-social-e-seus-tipos/) 

No texto, o sociólogo Karl Mannhein analisa o fenômeno do isolamento social e os seus tipos. 
  • Nascido em Budapeste, na Hungria, o sociólogo Karl Mannheim (1893-1947) viveu em um dos períodos mais conturbados da História, tendo dedicado boa parte de sua vida à elaboração da Sociologia do Conhecimento. No texto a seguir, ele analisa o fenômeno do isolamento social. 

O isolamento é uma situação marginal na vida social. É uma situação que carece de contatos sociais. As formas mais simples de isolamento são criadas por barreiras naturais como as montanhas, os mares interiores, os oceanos ou os desertos. Tanto grupos como indivíduos podem ser isolados e, em ambos os casos, as consequências principais do isolamento são a individualização e o retardamento.


Tanto os indivíduos quanto os grupos, quando excluídos do contato com outros indivíduos ou grupos, tendem a tornar-se indivíduos ou comunidades que se desviam das outras. Isso significa que percorrem seu próprio caminho; ajustam-se somente às suas condições particulares, sem trocar influências e impressões com outros indivíduos ou grupos.

Como consequência da falta de contato com outros, o indivíduo ou grupo desconhece a evolução das outras pessoas ou unidades sociais. Dessa maneira, emerge um fenômeno a que chamamos evolução desproporcional. O isolamento e a distância aumentam as diferenças originais e as individualizam. Pode-se observar como isso acontece em comunidades rurais que são isoladas por montanhas ou pântanos, como também em indivíduos que se afastam dos outros e se excluem. Tanto as primeiras como os últimos se tornam “peculiares”.


Tipos de isolamento social

Distinguimos dois tipos principais de isolamento: isolamento espacial (de ordem social) e isolamento orgânico (de ordem individual). 

O isolamento espacial pode ser externo, isto é, uma privação forçada de contatos, como acontece quando alguém é expulso da sua comunidade ou encarcerado. 

O comportamento anti-social e algumas vezes o desejo de vingança são uma consequência mental típica do confinamento solitário, que é uma forma extrema de exclusão forçada. No início do século XIX, muitas pessoas bem-intencionadas, influenciadas por concepções morais e religiosas tradicionais, acreditavam que o isolamento e a solidão fortaleceriam o caráter dos fiéis e facilitariam sua conversão.

Entretanto, as consequências, na maioria dos casos, eram estados mentais de melancolia, anormalidades sexuais, alucinações, e frequentemente, comportamento anti-social. A explicação para esse fato é simples: ajustamento às condições de prisioneiro, para a maioria dos indivíduos, implica torná-los desabituados à sociedade e à vida social, e é justamente isso que causa as atitudes anti-sociais.

Por isolamento orgânico, entendemos o isolamento que não é provocado por uma imposição externa, mas por certos defeitos orgânicos do indivíduo, tais como a cegueira ou a surdez. A consequência essencial de tais defeitos é a falta de certas experiências comuns ao indivíduo sadio. O compositor alemão Ludwing van Beethoven (1770-1827) exprimiu isso muito bem quando afirmou: “Minha surdez origa-me ao exílio”.

As consequências dos defeitos orgânicos são muito semelhantes às de certos defeitos sociais, como a timidez, a desconfiança, os sentimentos de inferioridade ou superioridade e o pedantismo. Essas distorções sociais, quando não são a consequência de um isolamento anterior, acabarão por criar um isolamento parcial.

As consequências de tal falta de experiência farão com que o surdo, o cego e o tímido raramente sejam plenamente correspondido por pessoas normais. Farão com que eles estejam em posição de inferioridade em toda espécie de comunicação pública, com que se tornem céticos, desconfiados e irritadiços e, portanto, que tenham menos possibilidade de escolher amigos e companheiros entre as pessoas que lhe estão próximas.

Pode-se falar em “falta de associação por escolha”, e o resultado posterior disso é um número limitado de pessoas com as quais podem desenvolver potencialidades intelectuais. Tudo isso pode levar à resignação: o indivíduo pode perder a esperança de obter uma posição normal e um lugar na vida, ou tornar-se uma personalidade que aceita o seu papel de inferioridade imaginária.

A timidez, em termos psicológicos, é uma espécie de isolamento parcial que decorre da incapacidade de reagir de forma adequada a certas esferas da vida. É geralmente consequência de um choque físico na infância. Na maioria das vezes, esse choque ocorre no momento exato em que a criança deixa a esfera das relações da família e da vizinhança para penetrar no universo dos contatos secundários. Uma espécie de trauma, uma lesão física, decorre desse passo, podendo resultar num desequilíbrio crônico de personalidade (…)


1º ANO - CONCEITOS BÁSICOS (PARTE I)

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CONCEITOS BÁSICOS PARA A COMPREENSÃO DA VIDA SOCIAL
Pérsio Santos de Oliveira


  • SOCIABILIDADE E SOCIALIZAÇÃO: reflita sobre este pensamento de Aristóteles (384-322 a.C): “O homem é por natureza um animal social”. O que isso quer dizer? A vida em grupo é uma exigência da natureza humana. O homem necessita de seus semelhantes para sobreviver, perpetuar a espécie e também para se realizar plenamente como pessoa.
A sociabilidade – capacidade natural da espécie humana para viver em sociedade – desenvolve-se pelo processo de socialização. Pela socialização o individuo se integra ao grupo em que nasceu, assimilando o conjunto de hábitos e costumes característicos daquele grupo.
Participando da vida em sociedade, aprendendo suas normas, seus valores e costumes, o indivíduo está se socializando. Quanto mais adequada a socialização do indivíduo, mais sociável ele poderá se tornar.

  • CONTATOS SOCIAIS: ao dar uma aula, o professor entra em contato com seus alunos. O cliente e o vendedor de uma loja estabelecem contato na hora da venda de uma mercadoria. Duas pessoas conversando também estabelecem um contato social. A convivência humana pressupõe uma verdadeira de formas de contatos sociais. Você mesmo pode relacionar diversas formas, a começar pela maneira como adquiriu este livro ou pelas relações ou contatos sociais que manteve para chegar até esta etapa de sua educação formal.

O contato social é à base da vida social. É o primeiro passo para que ocorra qualquer associação humana.

-TIPOS DE CONTATOS SOCIAIS: podemos considerar que existem dois tipos de contatos sociais: primários e secundários.
Contatos Sociais Primários. São os contatos pessoais, diretos e que têm uma forte base emocional, pois as pessoas envolvidas compartilham suas experiências individuais. São exemplos característicos de contatos sociais primários: os familiares( que ocorrem entre pais e filhos, entre irmãos, entre marido e mulher); os de vizinhança ( entre amigos, grupos de brincadeira e lazer); as relações sociais na escola, no clube, etc. Assim, as primeiras experiências do indivíduo se fazem com base em contatos sociais primários.
Contatos sociais secundários. São os contatos impessoais, calculados, formais. Trata-se mais de um meio para atingir determinado fim. Dois exemplos: o contato do passageiro com o cobrador do ônibus, apenas para pagar a passagem; o contato do cliente com o caixa do banco, para descontar um cheque. São também considerados contatos secundários os contatos mantidos através de carta, telefone, telegrama, e-mail,etc.

PRIMÁRIOS E SECUNDÁRIOS: é importante destacar que as pessoas que têm uma vida baseada mais em contatos primários desenvolvem uma personalidade diferente daquelas que têm uma vida com predominância de contatos secundários. Um lavrador, por exemplo, apresenta uma personalidade bastante diversa da de um executivo.
Com a industrialização e a conseqüente urbanização diminuíram os grupos de contatos primários, pois a cidade é a área em que há mais grupos nos quais predominam os contatos secundários.
As relações humanas nas grandes cidades podem ser mais fragmentadas e impessoais, caracterizando uma tendência aos contatos sociais secundários e ao individualismo, pois aproximadamente física não significa necessariamente proximidade afetiva. A vida nas metrópoles, por exemplo, facilita os conflitos. Um exemplo de individualismo cultivado nas grandes cidades são as brigas no transito, cada vez mais freqüentes, muitas com desfecho violento.

  • Convívio social, isolamento e atitudes: a História demonstra que o convívio social foi e continua a ser decisivo para o desenvolvimento da humanidade. As descobertas feitas por um grupo, quando comunicadas ás outras pessoas, tornam-se estimulo e ponto de partida para aperfeiçoamentos e novas descobertas. Transmitidas de geração a geração, esses conhecimentos compartilhados não perdem com a morte de seus descobridores. No convívio social, o compartilhamento entre indivíduos se dá pelos contatos sociais.

A ausência de contatos sociais caracteriza o isolamento social. Existem mecanismos que reforçam o isolamento social. Entre eles estão as atitudes de ordem social e as atitudes de ordem individual.
As atitudes de ordem social envolvem os vários tipos de preconceitos (de cor, de religião, de sexo, etc.). Um exemplo histórico de preconceito é o anti-semitismo, voltado contra os judeus. Tal atitude foi especialmente violenta durante a Idade Média e também entre os anos de 1933 e 1945, nos países dominados pela ideologia nazista. A África do Sul é outro exemplo de país onde por várias décadas imperou uma legislação que afastava do convívio social com os brancos a maior parte da população: era o apartheid, que minoria branca impunha á maioria negra, relegando seus membros á condição de cidadãos inferiores.
Uma atitude de ordem individual que reforça o isolamento social é a timidez. O sociólogo Karl Mannheim considera que a timidez, o preconceito e a desconfiança podem levar o indivíduo a um isolamento parcial semelhante ao ocasionado de modo geral pelas deficiências físicas, quando os portadores são segregados dentro de seu próprio grupo primário.

  • Quebrando as regras: O ser humano se guia pela inteligência. Sobre a necessidade de vida gregária (em grupo), edificamos o convívio social.
As formas de convívio social são diversificadas, pois cada cultura, cada povo, tem suas regras particulares de convivência humana.
As condições de convivência podem se modificar de acordo com certas transformações que ocorrem nas sociedades. Por exemplo, a situação da mulher de maneira geral foi se modificando rapidamente ao longo das últimas décadas do século XX. Quem imaginaria, nos anos de 1920, a mulher brasileira votando. Pois as brasileiras obtiveram direito de voto apenas em 1933. Difícil também imaginar, há cinqüenta anos, mulheres ocupando cargos executivos em grandes empresas ou trabalhando em fábricas de montagem lado a lado com os homens, ou dirigindo a economia e a política de uma grande nação, como foi o caso de Margareth Thatcher, na Inglaterra, nos anos de 1979 a 1990. No Brasil, temos inúmeros exemplos de destaques femininos, tanto na política como em outras diversas atividades sociais. É cada vez mais comum mulheres ocupando cargos executivos ou dirigindo a economia e a política.

terça-feira, 29 de março de 2016

Cidadania e Direitos Humanos - Cidadania Formal X Cidadania Real

Salve galera do 2oANO. Segue abaixo alguns links interessantes para o trabalho/pesquisa que estamos desenvolvendo em sala de aula, em breve posto mais alguns se precisar:


  1.  http://super.abril.com.br/blogs/superlistas/5-importantes-nomes-da-luta-por-direitos-humanos-no-brasil/
  2.  http://www.gentequefazadiferenca.sc.gov.br/
  3.  http://portaldoprofessor.mec.gov.br/link.html?categoria=19
  4.  http://www2.ccea.org.br/
  5.  http://www.gazetadopovo.com.br/educacao/vida-na-universidade/um-pe-na-facul-e-o-outro-na-comunidade-eicw6phqwesotl8ehfabpje4u
  6.  http://cpsfeteps.azurewebsites.net/feira-tecnologica-apresenta-projetos-de-inclusao-social/
  7.  http://cpsfeteps.azurewebsites.net/feira-tecnologica-apresenta-solucoes-para-economizar-e-reaproveitar-agua/
  8.  http://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=85432
  9.  http://gestaoescolar.abril.com.br/aprendizagem/projeto-escola-sustentavel-544933.shtml
  10. http://www.inclusive.org.br/?p=28455 
  11. http://redeglobo.globo.com/globocidadania/noticia/2013/06/iniciativas-que-lutam-pela-educacao-no-brasil-dao-exemplos-de-amor-e-cidadania.html

domingo, 27 de março de 2016

DO THE EVOLUTION - Evolução X Progresso X Desenvolvimento




QUESTIONÁRIO - 3º ANO

Salve, galera!
Segue abaixo as questões a serem respondidas e entregues conforme combinado em cada turma.

1- DESENVOLVIMENTO E PROGRESSO. Os dois termos significam sociologicamente a mesma coisa ou há diferenças entre eles? (Veja o link abaixo)

2- Faça um apanhado (síntese) dos seguintes termos, presentes no capítulo 21 de nosso livro (p. 294 ss). (Postei o texto do livro aqui também)
  • MODERNIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO
  • SUBDESENVOLVIMENTO E DEPENDÊNCIA
3- Que análise pode ser feita sobre as mudanças no últimos anos no Brasil, segundo o autor do nosso livro Nelson Tomazi? (Cap. 23 - em especial p. 323)

VÍDEO - Cada EQUIPE deverá produzir um material (em vídeo) elencando algumas mudanças sociais significativas em nossa sociedade, como um "TOP 10". Alguns itens podem ser considerados: como era a vida de nossos pais/tios/avós quando eram crianças ou jovens, diferenças e semelhanças no cuidado com as crianças, na escola, na alimentação, transporte, na diversão ou brincadeiras, no vestuário, namoro, profissões mais comuns, política (partidos e outras formas), questões históricas relevantes, entre outros.

Textos de apoio para as atividades - MUDANÇA SOCIAL (Nelson Tomazi)


Modernização, desenvolvimento e dependência
Progresso e desenvolvimento talvez sejam as palavras que melhor expressam, em nosso cotidiano, uma possível mudança social. Já vimos como pensavam os autores clássicos sobre este tema. Vamos examinar a seguir como a questão foi colocada a partir de meados do século XX.
Características e diferenças das sociedades
Tradicional
Moderna
Particularismo
Universalismo
Orientação para a atribuição
Orientação para a realização
Difusão funcional
Especificidade funcional
Pouca motivação para o desempenho
Muita motivação para o desempenho
Nenhuma abertura à experiência
Grande abertura à experiência
Hierarquia profissional
Especialização profissional
Pouca imaginação criadora
Muita imaginação criadora
Pequena mobilidade social
Grande mobilidade social
Resistência às mudanças
Abertura às mudanças
Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) passou-se a perceber que as desigualdades entre as sociedades do mundo eram gritantes, e algumas grandes vertentes teóricas se propuseram analisar esse fenômeno, isto é, tentaram expli­car por que algumas sociedades eram desenvolvidas e outras, subdesenvolvidas. É sobre essas teorias que vamos refletir um pouco.
Teorias da modernização. A visão evolucionista da história ganhou novo alento com as teorias da modernização, de acordo com as quais as mudanças movem as sociedades de um estágio inicial (tradicional) para um estágio superior (mo­derno), numa escala de aperfeiçoamento contínuo.
As teorias da modernização utilizam os padrões de análise de Émile Durkheim e de Max Weber, mas com nova roupagem. De acordo com essas teorias, as so­ciedades são tradicionais ou modernas conforme as características que adotam. Como desenvolveram determinadas atitudes e comportamentos e não outros, são responsáveis pela própria situação. Para se transformar, passando do estágio atual para o superior, uma sociedade tradicional precisa deixar suas características para incorporar as modernas.
Essas teorias tomam como padrões de sociedades modernas as norte-ameri­canas - do Canadá e dos Estados Unidos - e as européias ocidentais - prin­cipalmente a da França, a da Inglaterra e a da Alemanha. De acordo com tais teorias, as sociedades tradicionais (atrasadas e subdesenvolvidas) devem seguir o exemplo e os mesmos passos históricos das sociedades modernas (industria­lizadas e desenvolvidas).
Vários sociólogos dos Estados Unidos, como Talcott Parsons, David Mc­Clelland c Daniel Lerner, e também o argentino Gino Germani, entre outros, utilizaram esquemas muito parecidos para caracterizar cada tipo de sociedade.
A mudança social ocorreria quando os indivíduos e os grupos – isto é, as sociedades – deixassem as características tradicionais e passassem a internalizar as modernas. Assim, desde' que os valores tradicio­nais fossem superados, ocorreria a evolução social modernizante. De acordo com as críticas mais gerais, essas teo­rias são etnocêntricas, pois a maioria das nações do mundo não seguiu as mesmas trajetórias históricas que as sociedades ocidentais. Ademais, tais teorias definem a trajetória de todas as sociedades como se fosse linear, ou seja, presumem que as sociedades modernas de hoje foram um dia tradicionais e se mo­dernizaram porque mudaram sua mentalidade e sua maneira de ver o mundo. A ênfase é posta na cultura e na visão de mundo das pessoas e dos grupos sociais, os quais, para mudar, precisariam seguir a mesma trajetória que as atuais sociedades modernas. Além dessas críticas, outras estão contidas nas teorias que vamos analisar em seguida.

Teorias do subdesenvolvimento e da dependência
Após fazer uma análise crítica das teorias da modernização, vários autores, na década de 1960, procuraram explicar a questão da diferença entre os países por um outro ângulo, focalizando a história diferencial de cada sociedade e as relações econômicas e políticas entre os países. A pergunta que se fazia era a mesma proposta pelas teorias anteriores: por que os países da América Latina eram subdesenvolvidos e os da Europa e os Estados Unidos eram desenvolvidos? As respostas, porém, mudaram.
Esses autores partiram de uma visão que foi desenvolvida pela Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), da Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com os estudos da Cepa!, do ponto de vista econômico, nas relações entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos havia uma troca desigual e uma deterioração dos termos de intercâmbio. Historicamente, isso se explicava por uma divisão internacional do trabalho, em que cabia aos países periféricos (dominados) vender aos países centrais (dominantes) produtos primários (agrí­colas, basicamente) e matérias-primas (sobretudo minérios) e comprar produtos industrializados. Ao longo dos anos, foi necessário que os países periféricos vendessem mais matérias-primas e agrícolas para pagar a mesma quantidade de produtos industrializados, ou seja, trabalhavam mais e vendiam mais para receber o mesmo e assim enriquecer aqueles que já eram ricos.
Os países centrais e os periféricos tinham um passado diferente. Os países europeus foram as metrópoles no período colonial, ao passo que os da América Latina foram as colônias e, depois da independência, passaram a ser dominados economicamente pela Europa e pelos Estados Unidos. Isso prejudicou a emer­gência de forças livres para o desenvolvimento autônomo dos países periféricos.
Andrew Gunder Frank, sociólogo alemão, afirmava que na América Latina havia apenas o desenvolvimento do subdesenvolvimento, pois os países centrais, além de explorar economicamente os periféricos, dominavam-nos politica­mente, impedindo qualquer possibilidade de desenvolvimento autônomo. E essa relação desde o período colonial explicava por que alguns tinham se de­senvolvido e outros não.
Um segundo grupo de sociólogos, do qual participaram o brasileiro Fer­nando Henrique Cardoso e o chileno Enzo Falletto, propôs uma explicação um pouco mais detalhada dessa relação. De acordo com sua análise, após a primeira fase de exploração, que durou até o fim da Segunda Guerra Mundial, iniciou-se um novo movimento que aprofundou a dependência dos países da América Latina. Esta continuou produzindo os mesmos bens primários para exportação, mas a partir da década de 1960 houve uma mudança, principal­mente no Brasil, na Argentina, no Chile e no México: a internacionalização da produção industrial dos países periféricos. Como isso ocorreu?
A industrialização dependente configurou-se mediante a aliança entre os empresários estrangei­ros e nacionais e o Estado nacional. Os produtos industriais que antes vinham dos países desen­volvidos começaram a ser fabricados nos países subdesenvolvidos, porque era mais barato. Além disso, com a produção local, evitava-se o gasto com o transporte. Mas o fundamental era que as matérias-primas estavam próximas, a força de tra­balho era mais barata e o Estado dava incentivos fiscais (deixava de cobrar impostos) e construía toda a infra-estrutura necessária para que essas indústrias se instalassem e funcionassem. Em alguns países onde havia essas condições, as grandes indústrias estran­geiras se instalaram e geraram um processo de industrialização dependente, principalmente, da tecnologia que traziam. Com isso, além de manter a explo­ração anterior, os países centrais exploravam diretamente a força de trabalho das nações subdesenvolvidas.
Essas teorias procuravam explicar a existência das diferenças entre os países, as possibilidades de mudança de uma situação a outra e as condições possíveis para que isso acontecesse no sistema capitalista, sem necessariamente questio­ná-lo.


BRASIL - Mudanças nos últimos anos
Como vimos até aqui, muitas coisas mudaram no Brasil e muitas outras foram conservadas ou não mudaram de modo significativo. Podemos observar que em alguns lugares o modo de vida assemelha-se ao das sociedades indus­trializadas de qualquer parte do mundo. Em outros lugares, principalmente nas áreas rurais, vive-se uma realidade de extrema pobreza. Nas grandes cidades as duas situações convivem. Há no mesmo lugar extrema riqueza e extrema pobreza: gente que mora em condomínios fechados luxuosos e gente que vive embaixo de viadutos.
Politicamente, pode-se dizer que as regras do jogo democrático estão con­solidadas, isto é, as eleições são realizadas regularmente e os eleitos são empossados e terminam os mandatos (desde que não sejam julgados e tenham os mandatos extintos, como ocorreu com o ex-presidente Fernando Collor e vários parlamentares). No entanto, persistem ainda velhas práticas, como o clientelismo, o "favor", as decisões judiciais parciais e os conchavos políticos, o que demonstra que o país não mudou tanto.
Economicamente, nos últimos 20 anos, houve uma alteração substancial por causa da ampliação da inserção do Brasil no mundo. Foram necessárias mudanças internas para que o país pudesse se adequar ao novo padrão internacional de relações políticas e econômicas. O processo produtivo industrial foi modificado com a entrada de novas indústrias e a modernização tecnológica, principalmente via automação. Criou-se uma nova maneira de produzir muito com menos trabalhadores. Isso conduziu a uma situação estranha, pois o desenvolvimento não implica aumento de vagas de trabalho.
 Houve também uma mudança no consumo e nas relações entre os in­divíduos. Para indicarmos apenas uma situação, a utilização dos telefones celulares ocasionou mudanças comportamentais que impressionam - por exemplo, na relação entre os trabalhadores autônomos e seus clientes; nas relações sentimentais, que incluem constantes conversas, mas também vigi­lância; nas relações trabalhistas, pois o empregado pode ser alcançado em qualquer lugar e hora; na própria sociabilidade, pois as pessoas não conse­guem mais viver sem estar conectadas; nas formas de consumo, dada a rápida obsolescência dos aparelhos.
Isso significa que a chamada globalização nos atingiu em cheio. E, como diz Francisco de Oliveira, sociólogo brasileiro, os meninos nas ruas vendendo balas, doces e quinquilharias não são o exemplo do atraso do país, mas a forma terrível como a modernização aqui se implantou.

DESENVOLVIMENTO x PROGRESSO

Salve, galera!
Havia prometido alguma coisa a respeito dos termos DESENVOLVIMENTO e PROGRESSO. Segue abaixo alguns links interessantes que podem ajudar a responder a questão passada em sala de aula: