quarta-feira, 23 de maio de 2012

Questionário: 3º Ano 10 - NOTURNO

         Segue abaixo as 3 questões que sugeri para vocês da unidade sobre CULTURA E IDEOLOGIA. Para quem procurar o livro, as perguntas estão no Cap. XX, p. 202. É bom LER o TEXTO antes.

1- QUEM DECIDE O QUE VAI SER VEICULADO NO RADIO E NA TELEVISÃO TEM A PREOCUPAÇAO DE DESENVOLVER UMA VISÃO CRITICA E ELEVAR O CONHECIMENTO DAS PESSOAS? CITE EXEMPLOS E DESENVOLVA ARGUMENTOS QUE FUNDAMENTEM SUA RESPOSTA.


2- SELECIONE UMA OU MAIS PEÇAS PUBLICITÁRIAS (cartaz, outodoor, propaganda de rádio ou televisão, anúncio de jornal, revista ou internet). FAÇA UMA ANÁLISE DA PROPAGANDA ESCOLHIDA E INDIQUE OS RECURSOS UTILIZADOS QUE CONTRIBUEM PARA A PADRONIZAÇÃO DE OPINIÕES, GOSTOS OU COMPORTAMENTOS.

3- ESCOLHA UMA NOVELA QUE ESTEJA EM EXIBIÇÃO NA TV, E PROCURE DESTACAR ALGUNS ELEMENTOS DO COTIDIANO OU DA CARACTERIZAÇÃO DAS PERSONAGENS QUE NÃO ESTÃO PRESENTES NO DIA A DIA DA MAIORIA DA POPULAÇÃO BRASILEIRA.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

3º ANO 2012 - Cultura e Sociedade (Introdução) - Etonocentrismo e Relativismo Cultural









1º ANO 2012 - AS ORIGENS DA SOCIOLOGIA

Segue abaixo um resumo bem legal que recebi certa vez sobre a origem e o contexto histórico do surgimento da SOCIOLOGIA. Façam bom proveito!

As origens da sociologia


• GÊNESE: Fatores sociais e epistemológicos

- A sociologia é uma forma de conhecimento científico originado no séc. XIX. Como qualquer ciência, ela não é fruto do mero acaso, mas responde às necessidades dos homens de seu tempo. Portanto, a sociologia tem também causas históricas e sociais.

Processo de formação.

O surgimento da sociologia está ligado a um duplo processo que envolve:
• Fatores históricos: transformações na estrutura da sociedade.
• Fatores epistemológicos: transformações na maneira de pensar e abordar a realidade.

FATORES HISTÓRICOS-SOCIAIS

Do ponto de vista histórico-social, inúmeros fatores poderiam ser apontados como marcantes para o surgimento da sociologia. No entanto, três acontecimentos podem ser destacados como fundamentais para este processo, pois eles afetaram diretamente as bases sociais da convivência humana. Estes acontecimentos são: • Revolução Industrial; Revolução Francesa; Revolução Científica.

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL (ordem econômica).

Os séculos XVIII e XIX presenciaram uma das mais intensas, rápidas e profundas transformações sociais que a história já vivenciou: a revolução industrial. O surgimento das máquinas alterou completamente as formas de interação humana, aumentando a produtividade e instaurando novas classes sociais: a burguesia e o proletariado.

As condições de trabalho que caracterizam o início da revolução industrial eram assustadoras para os padrões atuais e podem ser responsabilizadas pela baixa expectativa de vida dos operários que labutavam em turnos diários de 12 a 16 horas, ampliados para até 18 horas quando a iluminação a gás tornou-se disponível. Foi em 1833, e somente nas fábricas têxteis da Inglaterra, que crianças entre 9 e 13 anos foram proibidas de trabalhar em jornadas de mais de 9 horas, e as que tinham entre 13 e 16 anos por mais de 12 horas, sendo o turno da noite reservado para que freqüentassem a escola.

O salário dos aprendizes era em geral a metade do que se pagava aos operários, o das mulheres a quarta parte, e das crianças... Já se pode imaginar. Além das doenças da vida insalubre, da alimentação deficiente, os trabalhadores estavam expostos a freqüentes acidentes provocados pelo maquinário pesado.

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL (ordem econômica).

Junto com as mudanças econômicas vieram à migração, as urbanizações, a proletarização, novas formas de pobreza e uma série de outros fenômenos sociais radicalmente novos.

REVOLUÇÃO FRANCESA (ordem política).

Mas, antes disso, ainda no século XVIII, a Europa já tinha passado por um profundo abalo com a Revolução Francesa de 1789.Este evento histórico foi um fenômeno da maior importância, pois a queda da monarquia e a instauração do sufrágio eleitoral democrático, os direitos do homem e as noções de igualdade, liberdade e fraternidade foram um terremoto nas tradições políticas da Europa. A Revolução Francesa trouxe novos ideais políticos e inaugurou novas formas de organização do poder. Trata-se, portanto, de um acontecimento de ordem política.

REVOLUÇÃO CIENTÍFICA (ordem cultural).

Junto com a Revolução Francesa consagrava-se, também, uma nova forma de pensar e entender filosoficamente o mundo: o Iluminismo. O iluminismo foi, antes de tudo, um movimento intelectual que tinha como objetivo entender e organizar o mundo a partir da razão.Na verdade, esta transformação cultural já vinha ocorrendo há muito tempo, particularmente a partir do Renascimento (séc. XV). Embora o Renascimento tenha sido mais forte no campo das artes, ele tinha como intenção geral colocar o homem (antropocentrismo) no lugar de Deus (teocentrismo).

O iluminismo tratou de acrescentar ao Renascimento o potencial da razão humana que levaria o homem a sua plena maturidade, como diria mais tarde o filósofo Immanuel Kant (1724-1804). O Renascimento e o Iluminismo são acontecimentos que afetam a ordem cultural.

RESULTADOS:

As transformações apontadas acima mexeram profundamente nas estruturas fundamentais da sociedade, desencadeando novas relações econômicas, novas formas de luta política e ainda uma nova visão de mundo.

AS REVOLUÇÕES INDUSTRIAL E FRANCESA e o iluminismo iniciaram um movimento de transição entre os períodos históricos da idade média e da idade contemporânea. A idade moderna alterou definitivamente os aspectos culturais, políticos e econômicos da sociedade e deu início a estruturação do mundo no qual vivemos hoje.


• CONCLUINDO e PARA NÃO ESQUECER:

 As transformações econômicas, políticas e culturais ocorridas no século XVIII com as Revoluções Industriais e Francesas, trouxeram muitos problemas. A Sociologia surge no século XIX como forma de entender esses problemas e explicá-los. No entanto, é necessário frisar, de forma muito clara, que a Sociologia é datada historicamente e que o seu surgimento está vinculado à consolidação do capitalismo moderno.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

MUDANÇA SOCIAL

Galera do 2º Ano NOTURNO, segue abaixo um link com o resumo do que falamos em sala de aula sobre MUDANÇA SOCIAL. É do blog do Emanuel de Souza. Façam bom proveito.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

ECONOMIA E INSTITUIÇÃO ECONÔMICA

Galera do 1º Ano, segue abaixo algo bem objetivo sobre a questão da ECONOMIA que falamos em sala de aula. Basta isso por enquanto. Na verdade ao falarmos de ECONOMIA, iríamos longe, mas pra começo de conversa está bom.  Os textos não são meus, mas expressam o que conversamos em aula.

Economia é a ciência social que estuda a produção, distribuição, e consumo de bens e serviços. O termo economia vem do grego para oikos (casa) e nomos (costume ou lei), daí “regras da casa (lar).”
Ela estuda as formas de comportamento humano resultantes da relação entre as necessidades dos homens e os recursos disponíveis para satisfazê-las. Assim sendo, esta ciência está intimamente ligada à política das nações e à vida das pessoas, sendo que uma das suas principais funções é explicar como funcionam os sistemas econômicos e as relações dos agentes econômicos, propondo soluções para os problemas existentes.
A ciência econômica está sempre analisando os principais problemas econômicos: o que produzir, quando produzir, em que quantidade produzir e para quem produzir. Cada vez mais, esta ciência é aplicada a campos que envolvem pessoas em decisões sociais, como os campos religioso, industrial, educação, política, saúde, instituições sociais, guerra, etc.
A economia enquanto INSTITUIÇÃO é aquela que organiza a tecnologia, trabalho e capital para tomar recursos do meio ambiente, transformando-os através da produção em mercadorias e utilidades,e distribuindo essas mercadorias e utilidades aos membros da sociedade. Tem havido um número de formas econômicas básicas na história humana – caça-e-coleta, horticultura, agricultura, industrialização e pós-industrialização. A economia norte-americana é agora completamente pós-industrial, girando em torno da prestação de serviços tanto quanto da fabricação.
A economia é a instituição social que organiza a produção, a distribuição e a circulação de bens e serviços. As atividades econômicas são institucionalizadas à medida que são explicadas por crenças, legitimadas por valores e reguladas por normas. Assim, em todas as sociedades, para a produção, a circulação e a troca de bens escassos, existem crenças, valores, normas posições e papéis determinados.
As instituições econômicas têm por função produzir e distribuir bens, incentivar o trabalho, o consumo de bens e serviços.
Um exemplo: Os membros de uma empresa constituem um grupo social formado por acionistas, administradores, prestadores de serviços e empregados. As relações entre essas pessoas são reguladas por leis, regras e padrões que objetivam fazer a empresa funcionar e dar lucro aos proprietários. Essas normas caracterizam a instituição econômica, pois seus preceitos são igualmente aplicados em todas as empresas.

domingo, 8 de maio de 2011

ATIVIDADE - 3º Ano NOTURNO

Salve, galera!
Desculpe a demora pela postagem do texto.
Segue abaixo o texto sobre EDUCAÇÃO extraído do livro "Cidadão de Papel". As questões a serem respondidas são as que seguem no final do texto, sugeridas pelo autor (Gilberto Dimenstein).


Educação

■ Tragédia educacional
Estamos chegando à última parte do livro. Não foi por acaso que o tema educação ficou para o final. Durante todo o texto, falamos em círculo vicioso, ou seja, você foi vendo como a pobreza reproduz pobreza.
A família é pobre. Mora numa casa onde não tem saneamento básico. O ambiente facilita a transmissão de doenças. As doenças enfraquecem o corpo, que fica desnutrido. A criança desnutrida não aprende direito o que é ensinado. E quem não estuda não consegue arrumar um bom emprego.
Um jeito de quebrar esse círculo tenebroso é a educação. Isto porque uma pessoa instruída pode defender melhor os seus direitos e sabe quais são as suas obrigações.
São muitos os países que progrediram porque investi­ram nas suas crianças. Quando as crianças cresceram, viraram trabalhadores qualificados e cientistas, por exemplo. Para começar, esses países investiram no ensino fundamental. Isso explica, em grande parte, o rápido desenvolvimento do Japão e de outras nações do leste da Ásia.
Vamos pegar o exemplo da Coréia do Sul, que, nas décadas de 50 e 60, estava em situação parecida com a do Brasil de hoje. Em vinte anos, entre 1950 e 1970, o analfabetismo caiu de 78% para 11%.
No começo da década de 80 praticamente não tinha mais analfabetos naquele país. Imagine que em 1970 só a metade das crianças com idade entre doze e quatorze anos ia à escola. Quinze anos depois, quase todas as crianças estavam estudando. Na faixa dos quinze aos dezenove anos, 29% cursavam o segundo grau em 1970. Em 1987, 83% dosjovens com essa idade frequentavam escolas.
                                  
■ Impacto econômico
A educação não é apenas uma questão de cidadania. O nível de instrução do trabalhador tem relação direta com a produtividade e, portanto, com a riqueza material de um país.
É bom lembrar a diferença entre produtividade e produ­ção. Imagine duas fábricas de automóveis com o mesmo número de funcionários.
Uma delas consegue fazer cem carros por mês e a outra, só cinquenta. Isso significa que a produtividade da primeira fábrica é o dobro da segunda.
Na prática, produtividade é reduzir o desperdício, apro­veitando melhor o tempo e os recursos. Se, em uma hora, você consegue aprender mais coisas do que o seu colega de classe, sua produtividade é maior.
A taxa de desperdício é alta no Brasil. Na construção de um prédio, boa parte do material acaba se perdendo. O Ministério da Indústria e do Comércio calcula que a parcela que vai para o lixo é de 35%.
Com isso, um apartamento que poderia custar US$ 50 mil sai por mais de US$ 67 mil. E o que acontece na construção civil se repete na agricultura. Com mais instrução, a produtividade poderia aumentar.
Se o homem do campo aprendesse melhores técnicas agrícolas, teria uma colheita maior, sem gastar tanto. Com isso, os alimentos custariam menos. E um aumento de produtividade é muito importante em um país onde a fome é um dos principais problemas.
Cada vez mais a falta de instrução dificulta a vida das pessoas. A tendência é que as empresas deixem de empregar um trabalhador que não pense. Não querem mais alguém apertando botões, numa produção em série. Com o avanço tecnológico, exige-se um operário que raciocine, tome decisões e avalie a qualidade do produto. Ele precisa manejar sofisticadas máquinas computadorizadas.
Um levantamento realizado em 1985 mostra que metade dos trabalhadores da indústria brasileira não tinha estudado mais de quatro anos. Só 13% haviam concluído o primeiro grau. Essa escolaridade ajuda a explicar por que o Brasil, segundo a Organização Internacional do Trabalho, é o campeão mundial de acidentes de traba­lho. O operário não conhece nem as regras básicas de segurança. Poucos patrões investem em segurança. E o pior: o governo não fiscaliza.

■ Evasão e repetência
O trabalhador sem instrução é apenas uma consequên­cia previsível de uma sociedade onde as desigualdades são muito grandes.
O número de matrículas no ensino básico aumentou nos últimos anos. Mesmo assim, 2, 5 milhões de crianças brasileiras nunca colocaram o pé na escola. Mas a desigualdade social não aparece só no número de matrículas.
Ela está no nível de ensino, reflexo direto da qualidade do professor e de quanto ele ganha. Segundo o Minis­tério da Educação, o salário médio de um professor com nível universitário gira em torno de US$ 150. Os menos qualificados recebem por volta de US$ 80.
A remuneração acaba determinando a qualificação. Somente 37% dos professores fizeram curso superior e 14, 3% têm apenas o primeiro grau completo. Com segundo grau completo são 46, 4%.
Mas a indicação mais fiel da desigualdade social está nos índices de repetência e evasão. Quando a criança deixa a escola, fonte primária de cidadania, ela vai para as ruas e só pode se transformar em mão-de-obra despreparada.
De cada cem crianças que entram na primeira série do primeiro grau, apenas vinte chegam à oitava série. Há uma relação entre evasão e condições de vida dos pais. Os mais pobres exigem que o filho gere renda.
Mas há também uma relação com repetência. O garoto não consegue aprender como deveria. Vai repetindo o ano, até que, desmotivado, procura outro caminho na vida. A mais alta taxa de repetência ocorre logo na primeira série.
Segundo o Ministério da Educação, de três alunos matriculados em qualquer série, apenas um não é repetente.
Em média, os alunos vão embora antes de completarem a quarta série. Isso significa que não aprenderam o mínimo necessário para que, na prática, não sejam analfabetos. Com menos de quatro anos de escolaridade, há uma tendência de esquecer como se escreve ou se lê.

■ Quem é analfabeto
É polêmica a definição de analfabetismo. No Brasil, considera-se oficialmente alfabetizado quem sabe escre­ver um bilhete simples. Mas existem estudos indicando que quem não foi pelo menos quatro anos à escola pode ser considerado um analfabeto de fato.
Sem esses quatro anos para fixar as letras, a pessoa esqueceria o que aprendeu. Dentro desse critério, cal-cula-se que 41% dos brasileiros seriam analfabetos. Essa taxa tem um grave efeito político.
A democracia é o regime que garante a liberdade de todos escolherem seus governantes. Mas só existe liberdade quando se pode optar. E só existe opção quando se tem informação. A capacidade de um analfabeto ter informa-ção é muito limitada. Ninguém pode dizer que é livre para tornar o sorvete que quiser se conhecer apenas o sabor limão.
Para um analfabeto é muito mais difícil avaliar e compa­rar as propostas dos candidatos, notar suas contradi­ções, informar-se sobre o seu passado. Essa dificuldade existe para qualquer pessoa desinformada, analfabeta ou não.
Apesar das advertências sobre suas contradições, publicadas em jornais e revistas, Fernando Collor ven­ceu as eleições à Presidência.
Havia uma série de dados mostrando a diferença entre o que ele prometia e o seu passado, inclusive no campo da moralidade.
No primeiro turno das eleições, a maior parte de seus votos veio de pessoas com menor instrução. Elas se sensibilizaram com a promessa de salvação para os descamisados. Collor perdeu o poder, depois de um processo de impeachment, acusado de corrupção. Isso, apesar de ter ganho a eleição com a bandeira da moralidade.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fez um perfil revelador dos eleitores. Em 1986, éramos 69 milhões de eleitores. Os analfabetos com primeiro grau incompleto totalizavam 26 milhões. Isso quer dizer que quase 40% de todos os eleitores poderiam ser considerados analfabetos de fato. Eleitores com segundo grau completo eram 6, 7 milhões e com superior completo, 3, 1 milhões.
Por isso, a educação é um dos pilares básicos da democracia. Quanto maior a politização, mais difícil será a vida dos demagogos. Não é apenas uma questão política, mas de reclamar por todos os seus direitos. O direito de não morrer numa fila do Inamps, de ter seus direitos trabalhistas garantidos, de ser indenizado por ter ingerido produtos estragados.

■ Cidadania e escravidão
O analfabetismo é um dos sintomas mais antigos da falta de cidadania. Compromete em vários aspectos aliberda-de de um indivíduo.
Voltemos, agora, ao início deste livro, quando falamos da escravidão. Lá, notamos que não temos muitos motivos para nos orgulharmos de avanços sociais desde o final da escravidão.
Inscrita nas constituições, a cidadania avançou mais no papel do que na prática. Não há nada de novo. Durante o Império, nossa primeira Constituição adotava os prin­cípios de liberdade das revoluções americana e francesa. Mas a escravidão era mantida.
Lembre-se do que foi comentado no início do livro sobre Os filhos de escravos, marginalizados e sem estudo. Hoje se repete aquela mesma situação. Não é à toa que boa parte (60%) dos meninos assassinados são negros. Observe também a cor dos jovens que promoveram arrastões nas praias do Rio, atacando banhistas.
Mão são poucas as coincidências entre os períodos, começando pela educação pública. Quando surgiu o ldecreto de Repressão à Ociosidade, em 1888 - com a criação de instituições do tipo da Febem para garotos que perambulavam pelas ruas -, o deputado Rodrigues Peixoto discursou no Parlamento. Ao questionar a eficá­cia dos asilos correcionais, disse:
Poderemos, é verdade, prescindir desses meios, e chegar ao mesmo resultado por outro caminho, talvez mais nobre, mas essa estrada seria demasiadamente longa; só atingiríamos essa meta depois de muito tempo de havermos despendido largas somas. Quero falar de educação popular. Se nós pudéssemos educar melhor a nossa mocidade, se pudéssemos incutir-lhes as gran-des qualidades que tornam um cidadão útil e o fazem compreender os seus direitos e deveres, poderíamos então prescindir de meios artificiais (... ) Temos, é verda-de, grandes estabelecimentos de instrução superior, alguns dos quais podem enfrentar aqueles que possuem os povos mais civilizados da Europa, mas quanto à instrução primária e secundária, estamos completa-mente atrasados".


QUESTÕES

1. Por que é tão importante investir em educação?
2. Num teste feito com 40 países, entre pobres e ricos, o Brasil ficou nas últimas posições. Que sugestões você daria aos governantes para que essa situação mudasse?
3. Nos últimos anos o Brasil adotou-se a idéia de que os professores deveriam evitar que os alunos repetissem de ano. Com isso, muitos alunos passaram de ano mesmo sem ter um desempenho satisfatório. O que você acha disso? Procure argumentar com objetividade.
4. Você concorda com a política de cotas nas universidades para as minorias? Argumente.


quinta-feira, 21 de outubro de 2010

CULTURA E IDEOLOGIA

Salve!
Para a galera do 2º Ano do Altamiro. Alguns pontos que falamos em sala de aula. É um material colhido da internet. Só não tenho mais a fonte.


3º Ano do EM
Prof. Osnildo F. Kretzer
 
Cultura e sociedade

Conceito de cultura (extraído do Dicionário Aurélio Eletrônico Século XXI):
  • O conjunto de características humanas que não são inatas, e que se criam e se preservam ou aprimoram através da comunicação e cooperação entre indivíduos em sociedade.

Nas ciências humanas, opõe-se por vezes à idéia de natureza, ou de constituição biológica, e está associada a uma capacidade de simbolização considerada própria da vida coletiva e que é a base das interações sociais.

CONCEITO ANTROPOLÓGICO DE CULTURA: A DESNATURALIZAÇÃO DOS COSTUMES

Desde a Antigüidade, tem-se tentado explicar as diferenças de comportamento entre os homens, a partir das diversidades genéticas ou geográficas.
As características biológicas não são determinantes das diferenças culturais: por exemplo, se uma criança brasileira for criada na França, ela crescerá como uma francesa, aprendendo a língua, os hábitos, crenças e valores dos franceses.
Podemos citar, ainda, o fato de que muitas atividades que são atribuídas às mulheres numa cultura são responsabilidade dos homens em outra.
O ambiente físico também não explica a diversidade cultural. Por exemplo, os lapões e os esquimós vivem em ambientes muito semelhantes – os lapões habitam o norte da Europa e os esquimós o norte da América. Era de se esperar que eles tivessem comportamentos semelhantes, mas seus estilos de vida são bem diferentes. Os esquimós constroem os iglus amontoando blocos de gelo num formato de colméia e forram a casa por dentro com peles de animais. Com a ajuda do fogo, eles conseguem manter o interior da casa aquecido. Quando quer se mudar, o esquimó abandona a casa levando apenas suas coisas e constrói um novo iglu.
Os lapões vivem em tendas de peles de rena. Quando desejam se mudar, eles têm que desmontar o acampamento, secar as peles e transportar tudo para o novo local.
Os lapões criam renas, enquanto os esquimós apenas caçam renas.
Outros exemplos são as tribos de índios que habitam uma mesma área florestal e têm modos de vida bem diferentes: algumas são amigáveis, enquanto outras são ferozes; algumas se alimentam de vegetais e sementes, outras caçam; têm rituais diferentes; etc.
O comportamento dos indivíduos depende de um aprendizado, de um processo chamado endoculturação ou socialização. Pessoas de raças ou sexos diferentes têm comportamentos diferentes não em função de transmissão genética ou do ambiente em que vivem, mas por terem recebido uma educação diferenciada.
Assim, podemos concluir que é a cultura que determina a diferença de comportamento entre os homens.
O homem age de acordo com os seus padrões culturais, ele é resultado do meio em que foi socializado.

ETNOCENTRISMO

Etnocentrismo é uma visão do mundo onde o nosso próprio grupo é tomado como centro de tudo e todos os outros são pensados e sentidos através dos nossos valores, nossos modelos, nossas definições do que é a existência. No plano intelectual, pode ser visto como a dificuldade de pensarmos a diferença; no plano afetivo, como sentimentos de estranheza, medo, hostilidade, etc.
Como uma espécie de pano de fundo da questão etnocêntrica temos a experiência de um choque cultural. De um lado, conhecemos um grupo do "eu", o "nosso" grupo, que come igual, veste igual, gosta de coisas parecidas, conhece problemas do mesmo tipo, acredita nos mesmos deuses, casa igual, mora no mesmo estilo, distribui o poder da mesma forma empresta à vida significados em comum e procede, por muitas maneiras, semelhantemente. Aí então de repente, nos deparamos com um "outro", o grupo do "diferente" que, às vezes, nem sequer faz coisas como as nossas ou quando as faz é de forma tal que não reconhecemos como possíveis. E, mais grave ainda, este outro também sobrevive à sua maneira, gosta dela, também está no mundo e, ainda que diferente, também existe.
Este choque gerador do etnocentrismo nasce, talvez, na constatação das diferenças. Grosso modo, um mal-entendido sociológico. A diferença é ameaçadora porque fere nossa própria identidade cultural.
Mas, existem idéias que se contrapõem ao etnocentrismo. Uma das mais importantes é a de relativização. Quando vemos que as verdades da vida são menos uma questão de essência das coisas e mais uma questão de posição: estamos relativizando. Quando o significado de um ato é visto não na sua dimensão absoluta, mas no contexto em que acontece: estamos relativizando. Quando compreendemos o "outro" nos seus próprios valores e não nos nossos: estamos relativizando. Enfim, relativizar é ver as coisas do mundo como uma relação capaz de ter tido um nascimento, capaz de ter um fim ou uma transformação. Ver as coisas do mundo como a relação entre elas. Ver que a verdade está mais no olhar que naquilo que é olhado. Relativizar é não transformar a diferença em hierarquia, em superiores e inferiores ou em bem e mal, mas vê-la na sua dimensão de riqueza por ser diferença.
CULTURA POPULAR E CULTURA ERUDITA

Ao analisar o Renascimento, movimento cultural surgido no norte da Itália nos séculos XIV e XV, percebemos que ele estava ligado a uma determinada parcela da população da Europa: a burguesia.
A burguesia era formada por comerciantes que tinham como objetivo principal o lucro, através do comércio de especiarias vindas do Oriente. Esse segmento da sociedade conquistou não apenas novos espaços sociais e econômicos, mas também procurou resgatar ou fazer renascer antigos conhecimentos da cultura greco-romana. Daí o nome Renascimento.
A burguesia não só assimilou esses conhecimentos como acrescentou outros, ampliando o seu universo cultural. Por exemplo, ao tentar reviver o teatro de Sófocles e Eurípides (que viveram na Grécia antiga), os poetas italianos do século XVI substituíram a simples declamação pela recitação cantada dos textos, acompanhada por instrumentos musicais. Dessa forma, acabaram por criar um novo gênero – a ópera.
Desde a sua origem, a burguesia preocupou-se com a transmissão de seus conhecimentos a seus pares. A partir daí foram surgindo instituições, como as universidades, as academias e as ordens profissionais (advogados, médicos, engenheiros e outros). Com o passar dos séculos e com o processo de escolarização, a cultura dessa elite burguesa tomou corpo, desenvolveu-se e requintou-se com a tecnologia.
Essa cultura erudita ou “superior”, também designada cultura de elite, foi se distanciando da cultura da maioria da população, pois era feita pela e para a burguesia.
A cultura popular, por sua vez, mais próxima do senso comum e mais identificada com ele, é produzida e consumida pela própria população, sem necessitar de técnicas racionalizadas e científicas. É uma cultura em geral transmitida oralmente, registrando as tradições e os costumes de um, determinado grupo social. Da mesma forma que a cultura erudita, a cultura popular alcança formas artísticas expressivas e significativas.

INDÚSTRIA CULTURAL*

A pesquisa social levada a efeito pela teoria critica, propõe-se como teoria da sociedade entendida como um todo; daí, a polemica constante contra as disciplinas setoriais.
 Denunciando a separação e a oposição do indivíduo em relação à sociedade como resultante histórica da divisão de classes, a teoria critica confirma a sua tendência para a critica dialética da economia política. O ponto de partida da teoria critica é a análise do sistema da economia de mercado: desemprego, crises econômicas, militarismo, terrorismo, a condição global das massas, não se baseia nas possibilidades técnicas reduzidas, como era possível no passado, mas em relações produtivas já não adequadas à situação atual.

 A industria cultural como sistema:
 O termo Industria Cultural, surgiu para substituir a expressão “cultura de massa” nas notas anteriores à edição definitiva da Dialética do Iluminismo. Desde o inicio a interpretação corrente é a de que se trate de uma cultura que nasce espontaneamente das próprias massas, de uma forma contemporânea de arte popular.
 A estratificação dos produtos culturais, segundo a sua qualidade estética ou o seu interesse, é perfeitamente adequada à lógica de todo o sistema produtivo.
 Este sistema condiciona, evidentemente, de forma total, o tipo e a função do processo de consumo e a sua qualidade, bem como a autonomia do consumidor. A máquina da Indústria Cultural, ao preferir a eficácia dos seus produtos, determina o consumo e exclui tudo o que é novo, tudo o que se configura como risco inútil.

 Os efeitos dos meios de comunicação de massa*:
A estrutura multiestratificada das mensagens reflete a estratégia da manipulação da Indústria Cultual. Tudo quanto ela comunica foi organizado pôr ela própria com o objetivo de seduzir os espectadores a vários níveis psicológicos, simultaneamente. Com efeito, a mensagem oculta pode ser mais importante do que a que se vê, já que aquela escapara ao controle da consciência, não será impedida pelas resistências psicológicas aos consumos e penetrara provavelmente no cérebro dos espectadores.
 A maioria dos espetáculos televisivos visa a produção ou, pelo menos, a reprodução de muita mediocridade, de inércia intelectual e de credulidade que parecem adequar-se aos credos totalitários, mesmo que a mensagem explicita e visível dos espetáculos possa ser antitotalitária.
 A manipulação do público – perseguida e conseguida pela Indústria Cultural entendida como forma de domínio das sociedades altamente desenvolvidas – passa assim para o meio televisivo, mediante efeitos que se põem em prática nos níveis latentes das mensagens. Através do material que observa, o observador é continuamente colocado, sem o saber, na situação de absorver ordens, indicações, proibições.



* O termo indústria cultural foi criado em 1947, por Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkheimer (1895-1973), membros de um grupo de filósofos conhecido como Escola de Frankfurt.
* Televisão, jornais, revistas, rádio, Internet, etc.